Connect with us

Manuel Pacavira exalta a História, por Kumuenho da Rosa

Pedro Pacavira disse que a sua distinção este ano com o Prémio Nacional de Cultura é a valorização e homenagem a figuras históricas angolanas

Buongiorno Angola

Manuel Pacavira exalta a História, por Kumuenho da Rosa

Em exclusivo para o Jornal de Angola, o escritor Manuel Pedro Pacavira, distinguido este ano pelo conjunto da sua obra com o Prémio Nacional de Cultura, na categoria de literatura, considerou a escolha do júri a “valorização e homenagem a todos os angolanos que se preocupam com estes temas de exaltação de figuras históricas, como Nzinga Mbandi”.

Radiante, Manuel Pedro Pacavira disse que ficou “deveras surpreendido” ao receber a notícia e considerou o momento de “bastante oportuno” para que as entidades competentes reflictam sobre a necessidade de adopção deste tipo de obras de temas históricos para as escolas a todos os níveis.


O autor defende que essa medida ajudaria na “elevação e exaltação dos valores históricos, patrióticos e culturais, para a formação de uma consciência nacional por parte da juventude angolana. “No tempo colonial éramos obrigados a estudar a história e a geografia de Portugal, todos os reis, todos os escritores, mas hoje nem aos discursos orientadores do Presidente José Eduardo dos Santos, tão pouco os de Agostinho Neto, é dado o devido destaque e realce para estudo contínuo nas nossas escolas e piora um pouco nas escolas estrangeiras em que se encontram também muitos dos nossos filhos e netos”, lamentou.


Manuel Pedro Pacavira considerou a distinção pelo júri como um “bom incentivo” à reedição do seu romance histórico “Nzinga Mbandi”. “Procurarei ainda este ano reeditá-lo para uma ampla distribuição a nível do país. Oxalá encontre algum cidadão angolano intelectual que se disponha a traduzi-lo também nas nossas línguas nacionais, por exemplo o ovimbundo, kimbundu, tchokwe e kikongo”, referiu.
Manuel Pedro Pacavira, defensor da criação de uma fundação com o nome da Rainha do Ndongo e da Matamba, como forma de preservação e divulgação do seu património histórico, fez também um “apelo especial” aos escritores angolanos: “Estudem e investiguem a informação existente no livro “Nzinga Mbandi” para obras sobre outras figuras como Ndunduma do Ecovongo e Mandume do Kwanyama”.


O romance de Manuel Pedro Pacavira foi publicado em 1975 e é considerado por críticos como o precursor do novo romance histórico angolano, uma vez que possui na narrativa alguns dos elementos germinais do género e o factor essencial: o embate entre os valores das sociedades tradicionais e os da sociedade mercantilista, de acordo com as teorias de Lukács sobre o romance histórico.  A ensaísta brasileira Rosângela Mantolvani salienta que em “Nzinga Mbandi”, Manuel Pedro Pacavira “desvela a luta entre as culturas, entre as nações, ou seja, a história do homem como resultante da luta de classes, grupos, nações, desvelando que o sistema económico e social e suas tecnologias de domínio são os responsáveis pelas condições materiais de vida dos povos, sejam eles dominantes ou dominados”.

MUNDO NOVO | Manos, este e vários outros artigos fazem parte da minha visão da vida, visão da sociedade, visão da cultura e da política. Os artigos do Mundo Novo provêm de várias fontes e são partilhados aqui nas datas oficiais de publicação.

Jornal de Angola

Opinion Maker | Ballerino | Event Organiser. Nato in Angola, abito tra Roma, Vilnius & Luanda. Credo che il pensiero & l'azione facciano la grandezza dell'uomo.

Click to comment

Leave a Reply

Il tuo indirizzo email non sarà pubblicato. I campi obbligatori sono contrassegnati *

More in Buongiorno Angola

Advertisement

Consigliati

Advertisement
To Top