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COVID-19/CHINA: A VERDADE SOBRE O RACISMO CONTRA AFRICANOS

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COVID-19/CHINA: A VERDADE SOBRE O RACISMO CONTRA AFRICANOS

“Fim do pesadelo“, afirmou Xi Jimping na manhã de 10 de março em Wuhan, cidade epicentro do Sars-cov-2. Os números de novas infeções e dos decessos eram os mais baixos desde o início da pandemia. O país recomeçava a sorrir de novo.

Infeções de retorno

O mês de Abril, em China, foi caracterizado pela tentativa de um retorno a “normalidade”, ou seja , por um lado, a reabertura das estradas, das indústrias, dos super mercados e lugares de diversão, e por outro lado, o retorno de vários cidadãos chineses que se encontravam blocados fora do país.

Com os retornos, reacenderam-se os casos das infeções de importação, muito frequentes nas zonas de alta densidade de cidadãos africanos, sobretudo aquela de Guangzhou, no sudeste do país.

O aumento dos contágios entre africanos

O aumento de casos de contágio entre a população africana da cidade vem aumentando desde o início de abril, após as notícias de um ataque a uma enfermeira por um nigeriano em quarentena. O suposto acto de violência motivou o desencadear-se de uma uma repressão “mascarada” por parte das autoridades locais contra os africanos.

Desde 4 de abril, de acordo com o vice-prefeito de Guangzhou, Chen Zhiying, 111 casos de africanos na cidade foram testados positivos para coronavírus, com 19 casos importados de contágio, dos 4.553 africanos testados.

Durante dias, as autoridades locais também decidiram aumentar o nível de risco associado ao Covid-19 nas áreas de Yuexiu e Baiyun, de “baixo” para “médio”, onde é registrada a maior concentração de africanos.

Guangzhou é a cidade chinesa onde se concentra a maior comunidade africana da China, composta principalmente por funcionários de empresas ativas no comércio e estudantes, geralmente com vistos de curto prazo. É difícil estabelecer um número preciso de africanos que vivem em Guangzhou, mas, segundo um cálculo da agência Xinhua, em 2017, havia cerca de 320 mil africanos que ficaram na capital de Guangdong, localizada em uma das áreas com maior concentração industrial na região. China, o delta do rio das pérolas.

Factos de racismo ou fakenews?

Não existe fumo sem fogo. Giram nas redes vídeos e artigos que reportam o facto de vários africanos serem forçados a passar pelo teste de ácido nucleico para detectar a presença de coronavírus, e após o teste serem obrigados a Quarantena forçada por um período de 14 dias, apesar de não terem deixado a cidade nos últimos meses.

Segundo o Financial Times, a rede CNN, agência Asknews, a BBC, o jornal Africanews, e outros meios de comunicação conhecidos pelo próprio rigor, os africanos foram desabrigados e rejeitados pelos hotéis da cidade, depois de terem recebido uma notificação de despejo dos anfitriões, muitas vezes com poucas horas de antecedência e apesar de terem cartões e pagamentos em ordem. Vários vídeos divulgados nas redes sociais mostram assédio pelas autoridades da cidade contra os negros.

O comunicado americano

O consulado dos EUA em Guangzhou emitiu um aviso pedindo aos cidadãos afro-americanos que não fossem à cidade por causa do risco de discriminação.

As garantias do Governo chinês aos embaixadores africanos e a União Africana

Não é a primeira vez que cidadãos africanos de Guangzhou reclamam de discriminação contra eles e, já em 2014, durante a epidemia de Ebola, houve episódios de tensão entre a comunidade africana e a polícia.

No entanto, diante de episódios recentes de discriminação, vários países africanos pediram explicações ao governo chinês: Pequim sempre negou ter implementado políticas discriminatórias, garantindo ao invés de “tratar todos os estrangeiros na China igualmente”, como declarado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, e acusando os Estados Unidos de querer semear discórdia nas relações entre a China e a África.

No entanto, as declarações oficiais não foram suficientes para dissipar as suspeitas de muitos países africanos: o assistente do Ministério das Relações Exteriores de Pequim, Chen Xiaodong, no dia 13 de Abril, teve que reiterar, durante uma reunião com vinte embaixadores africanos, que não há discriminação contra os africanos em Guangzhou, visto que a “amizade entre China e África é indestrutível”. No entanto, as autoridades chinesas prometeram suspender as restrições injustas impostas aos africanos não infectados.

A verdade é como o óleo.

Por
Francisco Pacavira
info@pacavira.com

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Opinion Maker | Ballerino | Event Organiser. Nato in Angola, abito tra Roma, Vilnius & Luanda. Credo che il pensiero & l'azione facciano la grandezza dell'uomo.

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